24/03/2009 03:44
CONFETES SMILEY
O circo está colorido! Vendedores de pipoca, bexigas e muita, muita gente!
É a vida, o delicioso excesso de pessoas, carros, brilho, penas. Felicidade!
Não é real, não existe. É um momento, é um pedaço de tempos remotos que ressurge de forma desajeitada na realidade de agora.
Observo de longe. Tento espiar. Se pudesse, estaria ali! A imaginação sempre foi melhor do que o real! Imaginando toda a pompa, senti falta daquilo que não sabia ao certo como estava, mas sabia como era antigamente!
Os bonecos. Dois, três, não sei! Colossos avançando as ruas. A igreja, gótica e silenciosa, reza e chora parafinas, quente e baixinho...
É o dourado, ressurgindo das cinzas! É o palacete dos reis erguendo-se sobre o cimento! A máscara intacta e bem guardada dos coronéis adormecidos.
Imaginei tudo. Imaginei a musa, mulata brejeira e formosa, que ontem mesmo me dizia na quermesse: tia, me compra um doce?
Imaginei as princesas, feito deusas de ébano, com faixas prefeiturais transpassando-as.
Imaginei a algazarra, os tambores, as tribos urbanas aflorando o sensualismo por entre os becos dos casarões antigos!
Imaginei o orgulho do criador, observando em sua prancheta maquiavélica todos os ingredientes: mais de 2/3 de efeito psicológico e outro tantinho de cultura misturado enigmaticamente com beleza.
Imaginei também o que provavelmente não aconteceu. Imaginei uma mulher-maravilha dark, ser das trevas alado, águia-mãe que vê o ninho dos filhotes ameaçado por outros pássaros. E a águia vindo do negro e estrelado céu, golpeando com os pés o colosso. O colosso vindo abaixo, chamas, confusão, escaparam-se os paquidermes do circo!
Que papelão, senhor rei Momo! O que será do circo sem os seus enormes elefantes? Não há circo sem elefantes, é assim e ponto, desde que o mundo é mundo! Que cidade sem vida, sem gente, sem cultura! Cultura é isso, é o que eu conheço, não quero outra coisa! Minha filha quer comer pipoca pra ver os carros que o papai via! E há de ser assim nesta cidade que a terra vermelha há de comer um dia!
E nos outros dias? Nos outros dias a gente bebe, a gente canta, dança, assiste um filme. Somos normais.
A festa acabou. Um moço cansado e mal trajado aparece sozinho, adentrando a avenida. Ele traz as mãos vazias. Uma senhora desvia o olhar, fecha a janela da sua casa-camarote. Deve ser um qualquer.
O moço era gente. Era o criador, era o gênio! Era o homem por trás da estátua de papel colossal! Mas quem quer ver gente por aqui?
Uma legião de autistas por opção, conversando e admirando deuses de porcelana. Se vão ao chão, despedaçam-se os sonhos. Mas aquilo que este homem traz dentro de si não se esfarelará jamais!
enviada por Pititsa
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